Nesta edição da Coluna Gestão, a SABÓ convidou Rodrigo Rodrigues e Priscila Rodrigues, da Auto Peças Rodrigues, para compartilhar os aprendizados de uma sucessão familiar construída ao longo de mais de cinco décadas de história. Um relato sobre desafios, decisões e a importância de preservar um legado enquanto se prepara a empresa para o futuro.
Por Rodrigo Rodrigues e Priscila Rodrigues – Auto Peças Rodrigues
Quando recebemos o convite da SABÓ para compartilhar um pouco da nossa experiência, pensamos em vários assuntos que fazem parte da rotina de quem empreende: pessoas, processos, tecnologia, vendas… Mas percebemos que nenhum deles faria tanto sentido para começar quanto a sucessão familiar.
Esse é um tema que, mais cedo ou mais tarde, faz parte da realidade de muitas empresas familiares. E, embora cada história seja única, os desafios costumam ser muito parecidos: como dar continuidade ao negócio sem perder sua essência? Como preservar o legado de quem construiu a empresa e, ao mesmo tempo, preparar o caminho para o futuro?
Na nossa empresa, esse processo aconteceu de forma natural e respeitando o tempo de cada um.
Nossa história começou há mais de 50 anos, quando nossos pais transformaram a paixão pela mecânica, o trabalho e a dedicação em um negócio familiar.
Crescemos acompanhando a rotina da empresa e aprendendo, na prática, que valores como comprometimento, respeito, transparência e responsabilidade são a base para qualquer negócio que deseja atravessar gerações.
Quando chegou o momento de assumirmos novas responsabilidades, entendemos que sucessão não significa apenas trocar uma geração pela outra. Significa conquistar a confiança de quem veio antes, assumir novos desafios e dar continuidade a uma história construída com muito esforço.
Ao mesmo tempo, aprendemos que preservar um legado não significa manter tudo exatamente como sempre foi. Ao longo dos anos, implantamos novas tecnologias, revisamos processos, profissionalizamos a gestão e buscamos novas formas de administrar o negócio. Fizemos mudanças importantes, mas sem abrir mão dos valores que sempre conduziram a empresa.
A pandemia acabou acelerando esse movimento. Como aconteceu com tantas empresas, foi um período que exigiu adaptação, rapidez nas decisões e ainda mais união. O planejamento da sucessão, que já vinha sendo construído gradualmente, ganhou força e nos deu segurança para seguir em frente.
Se existe um aprendizado que gostaríamos de compartilhar, é que a sucessão não acontece quando uma geração deixa a empresa. Ela começa muito antes, nas conversas do dia a dia, na confiança construída ao longo dos anos e na disposição para preparar quem dará continuidade ao negócio.
Também aprendemos que inovar não significa romper com o passado. Pelo contrário, as melhores decisões que tomamos nasceram da combinação entre a experiência de quem construiu a empresa e o olhar de quem chegou para contribuir com novas ideias.
As empresas familiares continuam sendo protagonistas no aftermarket brasileiro. Elas carregam histórias, valores e uma enorme capacidade de adaptação. Talvez esse seja o maior ensinamento da nossa trajetória até aqui: o legado não está apenas no que recebemos, mas na forma como escolhemos prepará-lo para as próximas gerações.
Esperamos que a nossa experiência possa inspirar outros empresários que vivem desafios semelhantes. Afinal, mais do que administrar uma empresa, quem faz parte de um negócio familiar também tem a missão de preservar uma história e construir o futuro dela, todos os dias.





