Dica técnica – Os parafusos e a evolução tecnológica

Dica técnica – Os parafusos e a evolução tecnológica
Kit de parafusos SABÓ para fixação de cabeçote, com a caixa e os parafusos de deformação plástica

Com o aumento de eficiência e da potência dos motores, cresceram também as exigências sobre a junta de cabeçote e seus parafusos de fixação. Para acompanhar essa evolução, foram desenvolvidos os parafusos com deformação plástica, projetados para suportar a carga funcional do motor mantendo o aperto correto ao longo do tempo.

Nesses sistemas, o aperto segue algumas etapas importantes, segundo Rafael Zanelato, Consultor Técnico Comercial SABÓ, como:

  • Torque inicial, aplicado com torquímetro;
  • Aperto angular, medido com goniômetro;
  • Repetição das etapas, quando indicado pelo fabricante.

Exemplo de procedimento

1ª etapa: 3kgfm*
2ª etapa: 90°*
3ª etapa: 90°*

*Os valores são meramente ilustrativos, uma vez que a sequência, o torque e os ângulos corretos devem ser sempre consultados no manual técnico do motor.

O fenômeno do escoamento

O especialista explica que, durante o aperto por torque e ângulo, o parafuso atinge um alongamento controlado (região elástica), permitindo comprimir a junta de forma uniforme contra as faces do cabeçote e do bloco, garantindo vedação de câmaras de combustão, galerias de óleo e passagens do líquido de arrefecimento.

“Por isso, muitos desses parafusos são projetados para uso único, pois após atingirem o escoamento, perdem suas propriedades originais de resistência e elasticidade”, revela.

Riscos da reutilização

Parafusos reaproveitados podem apresentar fragilidades internas imperceptíveis a olho nu, como:

  • Perda de resistência mecânica do aço;
  • Alongamento permanente;
  • Deformação dos filetes da rosca;
  • Microfissuras internas;
  • Risco de ruptura durante o aperto;
  • Distribuição irregular da carga sobre a junta.

As consequências possíveis podem provocar:

  • Aquecimento excessivo do motor;
  • Vazamentos de óleo ou líquido de arrefecimento;
  • Perda de compressão;
  • Queima prematura da junta;
  • Retorno do veículo à oficina e retrabalho.

Ao aplicar uma junta de cabeçote SABÓ, deve ser realizada a substituição também dos parafusos de fixação, utilizando a sequência e a especificação de torque corretas disponibilizadas no verso das juntas de cabeçote SABÓ ou no manual técnico do veículo, além de usar torquímetro calibrado para realizar torque e ângulo especificados. Também é importante ter cuidado e não esquecer que as superfícies de bloco e cabeçote devem estar limpas e dentro das medidas permitidas. E jamais reutilizar parafusos indicados como uso único pelo fabricante.

Solução SABÓ para veículos clássicos

Em motores carburados e veículos mais antigos, identificar corretamente o tipo de parafuso, a junta utilizada e o procedimento indicado é essencial. A linha Clássicos SABÓ foi desenvolvida para atender às características dessas aplicações tradicionais.

“Em veículos clássicos, o procedimento de reaperto deve sempre seguir as especificações do fabricante do motor. Nem todo motor antigo utiliza o mesmo tipo de parafuso ou exige a mesma sequência de manutenção”, acrescenta Zanelato.

Evolução exige mudanças

Falando de tecnologia, na era dos motores carburados há 25 anos, antes da popularização da injeção eletrônica, muitos modelos utilizavam juntas de cabeçote em amianto e parafusos convencionais, que eram fabricados com ligas diferentes e trabalham na região elástica do aço. Com isso dificilmente era necessária a troca dos parafusos.

“Após a substituição da junta, era comum o reparador recomendar ao proprietário um retorno à oficina para realizar o reaperto dos parafusos do cabeçote. Isso ocorria, porque esses parafusos tinham menor capacidade de acompanhar as dilatações e contrações térmicas do motor, o que podia interferir na carga aplicada sobre a junta ao longo do uso”, explica o especialista.

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