Fonte: Jornal do Comercio Data: RJ 28/07/2008

 

 

Sabó Mantém expansão mundial

 

Autopeças – Terceiro grupo brasileiro mais internacionalizado, atrás da Vale e da Gerdau, inaugura em outubro outra fábrica no exterior, desta vez na China.

 

Por: Francisco Barbosa

 

A Sabó, empresa brasileira de autopeças, inaugurará em outubro outra fábrica no exterior, desta vez na China. Em 2009, a companhia iniciará operação em outro país, na Índia, em busca da alta demanda dos mercados emergentes. Com investimentos relativamente baixo – na unidade chinesa, por exemplo, foram investidos 10 milhões de euros – a companhia vem, desde 1992, ocupando espaços no exterior e hoje é considerada a terceira empresa brasileira mais internacionalizada, atrás apenas da Vale e da Gerdau, segundo pesquisas da Fundação Dom Cabral. A Sabó já tem unidades fabris na Alemanha, Áustria, Hungria, Estados Unidos, e Argentina, além de centros comerciais na França, Itália. Inglaterra, Japão, Austrália e China.

 

Linha de produção

 

A empresa, que produz retentores, jogos e de juntas, mangueiras e selos mecânicos, iniciou a investida no exterior pela Argentina, com duas fábricas de retentores, voltadas para o mercado local de montadoras e de reposição de peças.

 

A Companhia esta investindo o não passado US$ 6 milhões, em programa que vai até 2012, para elevar capacidade produtiva das unidades dos atuais 120 mil para 200 mil retentores por dia.

 

Com isso, a empresa atenderá ao crescimento do mercado argentino e aos pedidos de reposição de outros países da região, como a Venezuela.

 

O diretor – geral da Sabó na América do Sul, Luis Gonzalo, prevê que a fábrica de Buenos Aires deverá ter receita anual elevada dos US$ 13 milhões registrados em 2007 para US$ 20 milhões em 2012.

 

Em 1993, a Sabó adquiriu três plantas na Alemanha e uma na Áustria para atender as montadoras locais. Ano passado, a fábrica da Áustria aumentou em 33% sua capacidade produtiva. Como o projeto foi considerado de inovação tecnológica, o governo austríaco financiou a expansão com 5 milhões e euros.

 

A ampliação da unidade permitirá atender aos novos pedidos de retentores que começam a chegar de montadoras da Alemanha.

 

O programa multinacional da Sabó inclui, em 1997, a entrada da empresa na Hungria, com uma unidade próxima à fábrica de motores da Audi, para atender à migração de parte da produção de veículos para o Leste Europeu.

 

A Sabó expandirá a produção de suas fábricas européias, segundo Gonzalo, que não revelou valores a serem investidos e nem cronograma de execução dos projetos.

 

Depois da Europa e da América do Sul, o grupo buscou o mercado americano, com a inauguração, em julho de 2007, de uma fábrica nos Estados Unidos, localizada no condado de Lincolton, Carolina do Norte.

 

A unidade está usando atualmente 30% da capacidade total. Até 2012 serão investidos US$ 10 milhões para a fábrica atingir 100% capacidade de produção.

 

Investimentos nos EUA

 

De acordo com Gonzalo, os investimento nos Estados Unidos vêm sendo feitos de maneira mais lenta, devido à crise na indústria automobilística daquele país. Neste momento, os investimentos estão mais acelerados no Brasil e na Argentina, conforme o executivo.

 

No Brasil, sua média anual de crescimento foi de 10% nos últimos 5 anos, com US$ 15 milhões  de investimentos anualmente, totalizando US$ 75 milhões. Em 2007, a empresa faturou US$ 343 milhões e tem previsão de faturar cerca de US$ 400 milhões esse ano.

 

De 2008 a 2012 a empresa investirá anualmente US$ 21 milhões, divididos em novos equipamentos e desenvolvimento da fábrica instalada na cidade de São Paulo e na de Mogi Mirim, interior paulista, para garantir a ampliação da produção do parque industrial.

 

As exportações das fábricas do Brasil somaram US$ 51 milhões em 2007 e a previsão para este ano é que exportem US$ 62 milhões.

 

História

 

-          A Sabó é empresa familiar de capital fechado fundada pelo imigrante húngaro José Sabó, que chegou ao Brasil em 1927.

-          O imigrante iniciou o que veio a ser o grupo Sabó em 1939, a partir de bancada que alugou dentro de oficina localizada no Largo do Arouche, em São Paulo. Lá, o húngaro fazia peças para rodas de carroças.

-          Três anos depois, aproveitou o espaço deixado pelas dificuldades de importação causadas pela Segunda Guerra Mundial e montou pequena fábrica de peças de reposição de automóveis, com sócios, João Reinholz, que em 1947 deixaria a empresa.

-          Mas antes disso, por encomenda, a Sabó fez o primeiro retentor, produto que hoje é caro – chefe do grupo.

-          Posteriormente, já com tecnologia própria, expandiu a linha de produção, fabricando também juntas, mangueiras e selos de vedação de bombas de água.

-          O primeiro negócio do grupo no mercado internacional aconteceu em 1975, com a Opel da Alemanha, da qual se tornou fornecedora de retentores.

-          José Sabó morreu em 1989, aos 86 anos de idade, cinqüenta anos após criar, a partir de uma bancada, o grupo internacional, hoje presidido pelo neto, José Eduardo Sabó.