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Você vai ficar chocado, mas o primeiro carro elétrico foi brasileiro!

Você vai ficar chocado, mas o primeiro carro elétrico foi brasileiro!
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Se você acha que Tesla, GWM, Renault, Toyota e outras montadoras foram as pioneiras na fabricação de carros movidos a energia elétrica, pode ir mudando de ideia. Os primeiros automóveis elétricos são brasileiros. É do Brasil, sil, sil. Confira!

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Os caminhões de serviço da Light, fabricados pela norte-americana Commercial Truck Company, tinham um motor elétrico por roda. Este caminhão está preservado na sede da empresa, na região central da cidade. Imagem: Acervo Memória da Eletricidade

Muito antes do carro elétrico ser apontado como a solução para a redução de emissão de gases efeito estufa e o controle do aquecimento global, essa tecnologia já estava disponível e rodando pelas ruas das cidades.

Na realidade, os motores elétricos surgiram no final dos anos 1800 e, bem antes de serem uma tendência do século XXI, eram a preferência para a equipar os automóveis da época devido à facilidade de operação e maior conforto para os ocupantes se comparado aos veículos com os primeiros motores a combustão.

A história do Brasil com os veículos elétricos é bastante antiga também. No início do século XX já existiam caminhões e ônibus movidos a energia elétrica no Rio de Janeiro, então capital federal, convivendo harmoniosamente com os veículos com motores a combustão, com a vantagem de serem silenciosos, confortáveis e fáceis de operar.

Registros dos veículos emplacados no Rio de Janeiro no ano de 1921 indicam pelo menos seis marcas de carros e caminhões elétricos: Commercial Truck, Walker, Milburn, Atlantic, Detroit e Rolland.

Existia até uma empresa na cidade, a Ita Garage, que oferecia o serviço de buscar o carro elétrico à noite, recarregar suas baterias durante a madrugada e devolvê-lo na casa do cliente pela manhã.

Com a evolução dos motores a combustão e o início dos conflitos mundiais que geraram as duas grandes guerras, o motor elétrico foi sendo substituído pelos motores de ciclo Otto e ciclo Diesel e o resto da história todos já conhecem, pois os motores a combustão se tornaram o padrão da indústria automotiva em todo o mundo.

No Brasil não foi diferente. Entretanto, a ideia do carro elétrico nunca foi abandonada e dois nomes se destacam: Mauricio Lorensini e João Conrado do Amaral Gurgel.

O ano é 1965 e o aquecimento global não era um termo conhecido. A gasolina era barata e a indústria automobilística nacional estava em franca expansão com novas marcas e modelos se instalando no país.

Com esse cenário pouco desafiador, um inventor resolveu fazer, Mauricio Lorensini era um mecânico autodidata de uma oficina na cidade de Jundiaí, município a 65 km da capital paulista, já havia montado um motor movido a água e a ar-comprimido, utilizado em um caminhão e patenteado 78 outros projetos.

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Não satisfeito, Lorensini resolveu montar o carro movido a eletricidade. Era um automóvel sem carroceria para baixar o peso total do veículo e usava chassi e rodas de Ford Modelo A 1929, mas com um motor elétrico ligado ao câmbio. A energia para movê-lo vinha de baterias convencionais, de chumbo-ácido, e o carro alcançava até 70 km/h. Visionário, ele incluiu em seu projeto um motorzinho estacionário a gasolina para recargas de emergência, ou seja, esse é o primeiro registro de um veículo híbrido.

Em 1967, o protótipo foi levado de Jundiaí ao Rio de Janeiro para participar da “Corrida de Calhambeques”, promovida pelo Automóvel Club do Brasil e o então governador do estado, Carlos Lacerda, usou o carro dirigido pelo inventor paulista para cruzar o Viaduto dos Marinheiros, inaugurando a obra que liga a Avenida Francisco Bicalho à Avenida Presidente Vargas.

A proposta de Lorensini era produzir o veículo em série, mas o carro híbrido de Jundiaí nunca chegou a ser produzido comercialmente. O protótipo foi abandonado e não se tem notícias se ainda está guardado, foi desmontado ou corroído pelo tempo.

Mas e o primeiro carro 100% elétrico? Esse existiu e foi produzido graças a perseverança e empenho do empresário João Conrado do Amaral Gurgel, fundador da montadora nacional Gurgel Motores S/A.

E não foi apenas um modelo, mas três: os compactos Gurgel Itaipu E-150, de 1974; e os veículos comerciais Gurgel Itaipu E-400 e E-500, produzidos em pequena série (87 unidades) no período entre 1981 e 1983.

Em 1974, João Conrado do Amaral Gurgel, apresentou o Itaipu, o primeiro carro elétrico da América Latina a ser produzido em série e que levava esse nome em homenagem àquela que seria a segunda maior usina hidrelétrica do mundo, a binacional Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, que ainda estava em construção na época e só viria a ser inaugurada 10 anos depois.

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O Itaipu E150 tinha capacidade para apenas dois lugares e um design bem geométrico. Seu peso era de 460 kg, sendo 320 kg apenas das 10 baterias (três na frente, duas atrás dos bancos e mais cinco na traseira) que geravam 3,2 kW e entregavam o equivalente a 4,2 cv.

Esse conjunto proporcionava uma autonomia de 60 a 80 km percorridos e uma velocidade máxima de 50 km/h, com a recarga completa demorando cerca de 10 horas.

O veículo tinha espaço para apenas o motorista e o passageiro, com algum espaço para bagagem atrás dos bancos.

A proposta de Gurgel era realizar um teste em junho de 1975 com 20 unidades do Itaipu nas ruas de Rio Claro, onde ficava a fábrica da empresa. Além dos carros, também seriam instalados pontos de recarga. Infelizmente, devido à autonomia limitada e ao longo tempo de recarga, o Itaipu nunca passou de um protótipo e o plano nunca se concretizou.

Resiliente, entre 1981 e 1982, Gurgel ainda produziu 87 unidades do Itaipu E-400, um furgão elétrico alimentado por oito baterias, com velocidade máxima de 70 km/h e autonomia de até 100 km no “modo econômico”, que limitava a velocidade a 45 km/h.

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No ano seguinte, 1993, a Gurgel pediu concordata e encerrou suas operações após o rompimento de acordos com os governos de São Paulo e Ceará, que previam a construção de uma nova fábrica, frustrando mais uma vez o sonho de fabricar um carro elétrico em série.

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