Corrosão em juntas de cabeçote por falta de aditivos ou aditivos “piratas”

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Corrosão em juntas de cabeçote por falta de aditivos ou aditivos “piratas”


Você já deve ter ouvido alguém falar que a junta é o “fusível” do motor, não é? Mas, que tal essa: o líquido de arrefecimento pode ser comparado ao “fio” que leva energia para esse “fusível”. Concorda?

A junta de cabeçote do motor, peça responsável pela junção mecânica do bloco com o cabeçote. Em outras palavras, é essa junta (metálica ou em fibra) que faz a vedação dos fluidos do motor – evitando os vazamentos e mistura de gases, óleo e água do motor. Clique aqui para saber mais sobre as juntas de cabeçote.

Sua função é vedar os gases quentes produzidos durante uma combustão e, através dos seus orifícios, controlar a pressão do óleo e água, mantendo separados os fluidos, para que não haja contaminação no interior do motor.

A junta de cabeçote tem um importante papel no funcionamento do motor, equilibrando a pressão da água entre 1,0 a 1,5 kgf/cm2 e temperaturas de 80OC a 110OC no motor (sistema pressurizado).

Assim, se o motor apresentar qualquer anormalidade em seu funcionamento, a junta, provavelmente, apresentará alguma avaria – alertando sobre o problema e evitando danos a outros componentes.

Até aqui, sem polêmicas.

A questão principal sobre a relação entre a junta de motor e o líquido de arrefecimento é a mistura (ou falta dela) no momento do reabastecimento ou troca desta solução.

Importância do Aditivo

O aditivo para radiador é um fluido que desempenha processos físico-químicos junto com a água para manter a temperatura ideal dos componentes do motor. Esse aditivo, em geral, tem em sua composição uma solução chamada etilenoglicol, que tem a função de retardar o ponto de ebulição da mistura, além de outros componentes que impedem que a água enferruje as partes metálicas do motor.

Como a solução água/aditivo circula pelo motor e pode entrar em ebulição, o aditivo evita que a água ferva, mantendo-a estável e, em locais muito frios, o aditivo para radiador também evita o congelamento do fluido de arrefecimento.

Para que esse processo ocorra sem problemas, o aditivo precisa estar em ótimas condições para garantir que o motor trabalhe em plenas condições e o carro funcione perfeitamente. Isso significa que a mistura esteja na proporção correta (em geral 50% água e 50% aditivo), seja utilizada água desmineralizada na mistura e o aditivo seja de boa qualidade.

O maior problema é quando o nível do reservatório do líquido do radiador começa a baixar. Em geral, algum “professor Pardal” logo aparece com uma garrafa ou galão e despeja água da torneira no sistema. Errado!

Erro 1 – Essa água contém substâncias e contaminantes não desejados na mistura (lembre-se: água desmineralizada, certo).

Erro 2 – Ao adicionar água na mistura, a diluição da concentração de aditivo diminui. O que deveria ser meio a meio, passa a ser 60% de água e 40% de aditivo, e assim vai baixando a proporção sempre que água é adicionada à mistura.

Erro 3 – Para não baixar essa concentração da mistura, o nosso “professor Pardal, joga um líquido colorido no reservatório do sistema de arrefecimento, alegando que é um aditivo. Esse “aditivo” pode ser qualquer coisa, e seu cliente nunca vai saber se era aditivo realmente ou água de torneira com corante.

Risco: Com maior concentração de água, o ponto de ebulição baixa, a temperatura sobe, o que pode gerar maior atrito entre componentes, desgaste nas propriedades físico-químicas do lubrificante, desgaste de peças móveis, corrosão e danos ao motor.

Neste momento, com a temperatura se elevando, a junta do cabeçote (o fusível, lembra…), também superaquece e o veículo começa a apresentar problemas, tais como, queima da junta de cabeçote e consequentemente motor falhando, perda de potência e o reservatório de água apresentando pressão elevada, chegando, até mesmo a parada completa do veículo.

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Junta de cabeçote danificada por corrosão x junta de cabeçote em perfeitas condições

Quando trocar o aditivo?

Oriente seu cliente para que a troca do aditivo para radiador seja feita, em média, a cada ano ou a cada 30 mil quilômetros rodados. Porém, esses dados podem variar de modelo para modelo. Por isso, antes de fazer a troca do aditivo, sempre confira a recomendação do manual do fabricante, observando o intervalo de troca, proporção água/aditivo e características do produto a ser utilizado.

Os bons aditivos têm também detergentes que limpam as partes internas do motor. Ao retirar a sujeira podem aparecer vazamentos que antes estavam tampados pelas impurezas.

E, por fim: oriente seu cliente para que nunca permita que completem a solução do sistema de arrefecimento somente com água (mesmo que desmineralizada). Essa prática somente deve ocorrer em uma emergência e por um curto intervalo de tempo. Apenas o suficiente para que o motor não ferva e o cliente leve o carro até sua oficina.

A junta de cabeçote do motor agradece!


Junta de cabeçote danificada por corrosão

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