Quem foi o dono do primeiro carro no Brasil?

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Quem foi o dono do primeiro carro no Brasil?


Numa época de carroças e cavalos, Santos Dumont, o pai da aviação, resolve trazer para as esburacadas ruas do País o primeiro veículo movido a gasolina. Mas este não foi o automóvel placa 01, nem foi o autor do primeiro acidente automobilístico. Leia e saiba o que aconteceu.

 

Imagem do arquivo Peugeot do modelo Type 3 Vis-a-Vis 1891, conhecido na França como Peugeot Voiturette

 

Nossa história com o automóvel se iniciou com a curiosidade de Alberto Santos Dumont e o surgimento dos primeiros automóveis na França. Decidido a estudar a novidade das ruas parisienses, o futuro pai da aviação começa uma busca e, em novembro de 1891, quando o navio de luxo Portugal, procedente da Europa, atracou no porto de Santos, trouxe em seus porões a encomenda do brasileiro.

Era um modelo Peugeot Type 3 Vis-a-Vis 1891, conhecido na França como Peugeot Voiturette, equipado com motor Daimler, movido a gasolina, com dois cilindros em V e 3,5 cv de potência máxima, que permitia ao carro alcançar 18 km/h. A produção da Peugeot havia começado em 1890 com protótipos e os primeiros carros só foram fabricados a partir de 1891.

Alberto Santos Dumont foi o proprietário do primeiro automóvel no Brasil

O Peugeot deixou o porto de Santos e seguiu direto para o palacete da alameda Nothman, esquina com alameda Cleveland, no centro da capital paulista, onde Santos Dumont foi morar com seus pais e sete irmãos, após família voltar da França. Uma garagem foi construída, mas o carro quase não era visto pelas ruas, fato explicável, uma vez que Santos Dumont o teria comprado para estudar muito mais que dirigir.

O carro só passou a ser visto nas ruas depois que Alberto Santos Dumont cedeu o veículo para o seu irmão mais velho, Henrique, que ficou famoso tanto ao dirigir o veículo quanto por ter feito uma petição requerendo baixa do lançamento do imposto sobre seu automóvel.

Como a moda de ter um veículo próprio estava se difundindo rapidamente pela cidade, não demorou para que a prefeitura estabelecesse uma série de regras para as “carruagens sem cavalos”. No dia 26 de outubro de 1900, o então prefeito Álvaro Ramos promulgou a Lei 493, que regulamentava o pagamento de uma taxa obrigatória pelos proprietários de automóveis.

No ano de 1901, Henrique Santos Dumont enviou uma solicitação à Inspetoria de Veículos da Prefeitura de São Paulo, reclamando do pagamento de imposto do seu automóvel e do fato do calçamento não estar em condições adequadas o que resultava em problemas nos pneus e constantes manutenções. A reclamação foi negada pela prefeitura e como Henrique se recusou a pagar o imposto, teve sua licença de número P1 (particular 1) caçada e passada ao Conde Francisco Matarazzo.

O automóvel então deixa de circular e é guardado na casa da família. Nunca mais se soube notícias de seu paradeiro.

Nesse começo de século grandes figuras da sociedade paulista faziam fila para adquirir seus veículos, como: Antonio Prado Júnior, Ermelindo Matarazzo, Ramos de Azevedo, José Martinelli e muitos outros.

Reprodução de um automóvel Serpollet, o segundo veículo a rodar pelas ruas brasileiras

Outra curiosidade é que o jornalista José do Patrocínio foi o proprietário do segundo automóvel no Brasil e o agente do primeiro acidente automobilístico no País. Assim como o Peugeot de Santos Dumont, o carro de Patrocínio, um Serpollet, movido a vapor, com motor de 8 cv e quatro cilindros em V, fora comprado na França e causou espanto e admiração entre os transeuntes ao circular pelas ruas do Rio de Janeiro.

José do Patrocínio convidou diversos amigos para a estréia do automóvel, mas ninguém aceitou o desafio. Apenas o poeta Olavo Bilac aceitou o convite e os dois amigos marcaram um encontro, numa manhã de domingo, para colocar em prática a aventura.

Os amigos José do Patrocínio e Olavo Bilac, autores da façanha do primeiro acidente automobilístico em terras brasileiras, causado pela fantástica velocidade de 4 km/h

José do Patrocínio e Olavo Bilac saíram com o automóvel espalhando pânico entre os cariocas. O Serpollet tomou o rumo da estrada da Tijuca com Bilac no comando. Patrocínio insistia para o poeta dar cada vez mais pressão no veículo e o inevitável para um motorista sem prática aconteceu. Numa curva, Olavo Bilac perdeu o controle da alavanca de direção, o carro bateu contra uma árvore com a “impressionante” velocidade de 4 km/h e depois despencou num barranco. Jornalista e poeta e a árvore se salvaram, mas o veículo ficou inutilizado, encerrando a história do segundo automóvel no País.

Daí para a frente, os carros continuaram chegando e o resto da história você já conhece.

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